segunda-feira, 25 de abril de 2011

O melhor de Max Gehringer na CBN - COMO CONQUISTAR UM EMPREGO?

De olho nas agências de recolocação


EM ALGUNS PAÍSES DA EUROPA JÁ EXISTE UMA LEI QUE OBRIGA as empresas que demitem funcionários, sem justa causa, a prestar-lhes assistência profissional e psicológica. A parte profissional consiste em ajudar na preparação e no envio de currículo e no treinamento para entrevistas. E o acompanhamento psicológico serve para diminuir aquele trauma pós-demissão. E no Brasil?, por enquanto, o funcionário tem que se virar sozinho. Ligar para os amigos, dizer que a vida é assim mesmo, e pedir ajuda aos poucos que estão dispostos a ajudar de verdade. Mas existe uma variante esperta: agências especializadas em recolocação. Essas agências funcionam assim: elas entram naqueles sites que têm milhares de currículos expostos e escolhem uma dúzia deles. A escolha é feita pelo tempo que um profissional passou na empresa e pelo cargo que ela ocupou. Porque alguém que tenha tido um bom cargo durante cinco ou dez anos deve ter algum dinheiro guardado. Aí, a agência entra em contato com o novo desempregado e diz que tem uma vaga perfeita para ele. Para consegui-la, ele só terá que pagar uma pequena taxa, que varia entre 100 e 500 reais. Não há, é claro, garantia de que o emprego será conseguido, mas as chances são enormes. O desempregado se empolga e paga, e realmente será chamado para um par de entrevistas, em empresas que fazem parte do esquema da agência de recolocação. Mas logo descobrirá que o sonhado emprego era uma doce ilusão. E, pior de tudo, não terá do que reclamar, porque o esquema não é ilegal, já que o pagamento da taxa não garantia um emprego. O nome técnico que se dá a essa atividade é picaretagem. É claro que existem empresas honestas de recolocação no Brasil. Mas essas não abordam ninguém: é preciso que o interessado vá procurá-las. Por isso, quem for abordado, deve abrir o olho. Além de ter ficado sem o emprego, há o risco de ficar também sem a poupança.

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O excesso de criatividade das dinâmicas de grupo


QUEM ESTÁ TENTANDO ENCONTRAR UM BOM EMPREGO EM UMA GRANDE EMPRESA sabe que existem muitas etapas a serem ultrapassadas. Uma delas chama-se "dinâmica de grupo". Que funciona assim: uma dúzia de candidatos sentam em semicírculo e um mediador fica fazendo perguntas e anotando o que cada um responde. Mas também fica reparando como cada um está vestido, como se comporta, se rói as unhas, se usa gíria, essas coisas que a gente faz e não percebe. Quem passa por um dinâmica de grupo sempre sai dela achando que fez muita coisa errada. Alguns acham que poderiam ter falado mais, outros acham que deveriam ter falado menos. Então, aqui vão algumas regrinhas básicas. A primeira é se vestir do jeito que a empresa se veste. Ir de camiseta e jeans e descobrir que todo mundo usa terno, incluindo o mediador, é começar marcando um gol. Um gol contra. A segunda é sempre encontrar um alvo prático para qualquer comentário. Por exemplo, quem pratica alpinismo ou toca guitarra, deve dizer como essa habilidade poderá ser útil no trabalho. A terceira e a quarta regra são interessantes. A terceira é falar muito. E a quarta é falar pouco. Parece contraditório, mas não é. Falar muito é não deixar passar nenhuma oportunidade para dizer alguma coisa. Em dinâmicas de grupo, o silêncio não é visto como um sinal de sabedoria. É vista como falta de assunto, mesmo. Por isso, interrompa quem estiver falando. Educadamente, mas interrompa. E aí, fale pouco. O que você tem a dizer deve caber em 30 segundos. Porque é exatamente aí que você também será interrompido por alguém. E não deve se desperdiçar esse precioso tempo dizendo coisas como "com certeza" ou "vou procurar dar o máximo de mim", a não ser que a dinâmica seja para escolher um novo lateral direito. A útima regra é estar atualizado. Leia dois ou três jornais do dia antes de sair de casa. Alguém deve estar se perguntando o que é que a invasão do Afeganistão tem a ver com uma vaga de assistente administrativo. E a resposta é: absolutamente nada. Mas eu não faço as regras da dinâmica de grupo. Eu só tento explicá-las.


Autoria de Max Gehringer

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E agora? Minto ou não minto?


SE VOCÊ JÁ PREPAROU OU ESTÁ PREPARANDO UM CURRÍCULO, há uma razoável possibilidade de ter tido aquele longo momento de hesitação e se perguntando: e agora? Minto ou não minto? Não se preocupe, isso é normal. Aliás, as duas coisas são normais, tanto a hesitação quanto a mentira. Mentir no currículo é um esporte universal. Não há, que eu saiba, dados estatísticos brasileiros a respeito das mentiras em currículos. Mas nos Estados Unidos, onde existem pesquisas para tudo, quase a metade mente. Essas pesquisas revelam também que o homem mente mais que mulheres. E que, quanto menor a vaga, maior a mentira. Candidato a gerente mente mais que candidato a diretor. Como no Brasil a esperteza sempre foi maior do que no resto do mundo, pode-se deduzir que aqui também exista o que se chama de "maquiagem de currículo". E quais são as mentiras mais freqüentes? Transformar seminários de um fim de semana em cursos de aperfeiçoamento profissional. Transformar viagens de turismo em cursos. Transformar a participação em um grupo de trabalho em liderança de um projeto. Mencionar números que são impossíveis de checar, como redução de custo. Usar o fato de que no espanhol a maioria das palavras é praticamente idêntica ao português para mencionar "boas noções de espanhol". Alguns pecam por omissão, esquecendo, por exemplo, de mencionar a idade. Outros pecam por excesso, colocando até as horas de auto-escola para tirar carteira de motorista e chamando isso de "curso de aperfeiçoamento de habilidade em deslocamento motorizado". Claro que mentir no currículo sempre é ruim, porque cedo ou tarde a mentira bóia. Mas cada um é cada um. Como diz um amigo meu:"Eu sou honesto. Por isso nunca exagero nas mentiras".


Autoria de Max Gehringer

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Uma carta personalizada faz toda a diferença.


OS CURRÍCULOS ESTÃO CADA VEZ MAIS IGUAIS. Há empresas especializadas em montar currículos que só mudam o nome da pessoa. Esses currículos começam com verbos agressivos na primeira pessoa, tipo implantei, liderei, organizei, coordenei ... e continuam com os resultados numéricos fantásticos que a pessoa conseguiu em sua carreira. Tanto que, há dois anos, eu cheguei a uma conclusão interessante: todas as pessoas que podiam salvar as empresas do buraco estavam desempregadas. Cheguei a essa conclusão somando os números dos 50 currículos que recebi pelo correio, num dia só. Essas 50 pessoas, segundo os currículos, haviam economizado mais de 300 milhões de reais para as empresas onde trabalhavam, tinham aumentado o faturamento delas em 45% e tinham coordenado investimentos que ultrapassavam 500 milhões de reais. E foram todas despedidas. O que me levou a pensar num complô: será que as empresas estão despedindo os funcionários mais eficientes? Claro que não, salvo algumas exceções. A verdade é que esses currículos cheios de superlativos não impressionam mais. Olhando pelo lado positivo, sua única utilidade é virar papel reciclado. Muito mais importante que o currículo em si é uma carta pessoal, feita sob medida para cada empresa que vai receber o currículo. Uma vez recebi uma carta que começava dizendo "Prezado Senhor ... Sou entregador de pizza". Era de um jovem que fazia bico como motoboy de pizzaria nas noites de sábado, para poder pagar a faculdade. E pedi para contratar o sujeito imediatamente. Ali estava um exemplo de alguém com determinação e entusiasmo. Portanto, a carta personalizada é o que realmente vai fazer a diferença. O currículo é só anexo.


Autoria de Max Gehringer

segunda-feira, 11 de abril de 2011

A importância do aprendizado atualmente

Vivemos em uma época em que o aprender é vantagem competitiva.
Verdade não apenas para o funcionário, mas para a organização como um todo