De olho nas agências de recolocação
EM ALGUNS PAÍSES DA EUROPA JÁ EXISTE UMA LEI QUE OBRIGA as empresas que demitem funcionários, sem justa causa, a prestar-lhes assistência profissional e psicológica. A parte profissional consiste em ajudar na preparação e no envio de currículo e no treinamento para entrevistas. E o acompanhamento psicológico serve para diminuir aquele trauma pós-demissão. E no Brasil?, por enquanto, o funcionário tem que se virar sozinho. Ligar para os amigos, dizer que a vida é assim mesmo, e pedir ajuda aos poucos que estão dispostos a ajudar de verdade. Mas existe uma variante esperta: agências especializadas em recolocação. Essas agências funcionam assim: elas entram naqueles sites que têm milhares de currículos expostos e escolhem uma dúzia deles. A escolha é feita pelo tempo que um profissional passou na empresa e pelo cargo que ela ocupou. Porque alguém que tenha tido um bom cargo durante cinco ou dez anos deve ter algum dinheiro guardado. Aí, a agência entra em contato com o novo desempregado e diz que tem uma vaga perfeita para ele. Para consegui-la, ele só terá que pagar uma pequena taxa, que varia entre 100 e 500 reais. Não há, é claro, garantia de que o emprego será conseguido, mas as chances são enormes. O desempregado se empolga e paga, e realmente será chamado para um par de entrevistas, em empresas que fazem parte do esquema da agência de recolocação. Mas logo descobrirá que o sonhado emprego era uma doce ilusão. E, pior de tudo, não terá do que reclamar, porque o esquema não é ilegal, já que o pagamento da taxa não garantia um emprego. O nome técnico que se dá a essa atividade é picaretagem. É claro que existem empresas honestas de recolocação no Brasil. Mas essas não abordam ninguém: é preciso que o interessado vá procurá-las. Por isso, quem for abordado, deve abrir o olho. Além de ter ficado sem o emprego, há o risco de ficar também sem a poupança.
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